Minha vida em Marte

Genteeeeeee, que dupla deliciosa de se assistir, retornando quatro anos depois para contar o que existe do outro lado do “felizes para sempre”. Mônica Martelli e Paulo Gustavo retornam, mais íntimos e intimistas do que nunca, na divertida sequência de Os Homens São de Marte…E É Pra Lá que Eu Vou, intitulada Minha Vida Marte. De certa forma, Fernanda é um extrato de toda mulher. 

A diverta e, às vezes, incoerente protagonista traz um pouco de toda mulher. Bem sucedida, ela digladia com sua inconstante vida amorosa, regada por piadas naturais das suas frustrações e incrementadas com primor pelas divertidas ironias cheias de referências de Aníbal. Juntos, eles coroam o humor brasileiro, com autenticidade e risos que fluem com leveza da audiência. 

Se é melhor rir pra não chorar, o duo acerta novamente, fazendo dos dissabores de uma vida amorosa frustrada a alegria do público.

 Minha Vida em Marte faz quase um time lapse para oito anos desde o primeiro filme, nos levando para o centro do caos de um casamento que começou como um sonho, mas se tornara um pesadelo. Trazendo Marcos Palmeira de volta, sem o vigor da conquista amorosa do primeiro filme, a sequência – dirigida por Susana Garcia – vai além do tradicional final de contos de fadas, mostrando com realismo o quão complicada a vida a dois pode ser. Nesse contexto de desilusões e divergências amorosas, rimos dos tropeços dos nossos protagonistas, que discordam de praticamente tudo e se completam justamente por serem tão diferentes. 

E à medida que Fernanda tenta descobrir quem é sem toda a vida que julgava ter pelo resto de seus dias, percebemos que a continuação não é tanto sobre o amor entre marido e mulher. Mas também  à sua relação com seu melhor amigo, o único que sempre soube o seu grande potencial, sem exigir qualquer coisa em troca. Quando nossa percepção sobre o valor dessa relação começa a desabrochar, a continuação ganha um brilho diferente, mudando nossa visão sobre o tipo de história que estamos contemplando. Muito mais do que o amor ao outro, o filme aborda o amor próprio, aquele que nos permite – genuina e primeiramente – amar além de nós mesmos.

Com piadas que não deixam o riso cessar e referências de fácil compreensão para qualquer bom entendedor, Minha Vida em Marte mantém o ritmo acelerado, com uma trama que passa voando diante dos nossos olhos, levando o tempo de maneira imperceptível. À medida que as atrapalhadas dos nossos protagonistas os encurralam em situações das mais constrangedoras, somos ainda mais cativados pelo humor, sendo tragados pela simpatia e carisma que exalam pelos poros de Paulo Gustavo e Mônica Martelli. 

É tudo tão natural, que nos tornamos parte da comédia, envolvidos por uma trama leve, que não exige nada mais do que uma boa disposição para se divertir.

E ainda que o final possa deixar a desejar para os fãs mais apaixonados, Minha Vida em Marte não é tanto sobre o fim, mas sim sobre os novos começos. Com uma breve reflexão sobre o valor das pequenas e valiosas coisas que já temos, a comédia não busca trazer respostas definitivas para os altos e baixos do amor, mas leva a audiência a uma divertida jornada sobre escolhas e o impacto que elas exercem sobre quem almejamos ser. É um filme para rir, mas não se assuste se ele também te fizer suspirar um pouquinho.

Rafis

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